sábado, 6 de setembro de 2008

MARIA MÃE DE DEUS - Por Jaime Francismo Moura

"A Virgem Maria não é a Mãe de Deus, como dizem os protestantes. Ela é a mãe de Jesus Cristo".
Se isto é o que eles acreditam, então eles criaram vários erros. 1. Em (João 1,1) diz o seguinte," No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus" e em (João 1,14) diz: " E o Verbo se fez carne e habitou entre nós" Estes dois versos dizem que Deus foi feito carne. A substância da carne de Deus na segunda pessoa, que é Jesus Cristo, veio de onde? Veio de Maria!
2. Quantas pessoas é Jesus Cristo? Uma ou duas? Para acreditar que Maria só deu à luz a Jesus Cristo humano, os protestantes estão dividindo Jesus Cristo em dois, um Jesus humano e um Jesus Divino. Aí está um erro doloroso. Para provar ao contrário, é só conferir na própria Bíblia, em (Filipenses 2,5-7) onde notamos um Deus que é um homem, é também um homem que é Deus. Jesus Cristo é um, e não dois. Lembremo-nos também quando Tomé chama Jesus de "Meu Senhor e meu Deus", (João 20,28) .
3. Os protestantes ao negar Maria como Mãe de Deus, estão refutando (Lucas 1, 43) da qual, Isabel fala com as palavras dada a ela pelo Espírito Santo. "Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor?"
É importante deixar bem claro que Maria gerou o Homem - Deus (Romanos 9,5) "e todos os Anjos o adoram" (Hebreus 1,6). Maria é, realmente, mãe de Jesus Cristo, homem e Deus, conforme o testemunho da Escritura (Gálatas 4,4). Ela torna-se a mãe da pessoa de Jesus, na plenitude de seu ser humano e divino. Por exemplo: Jesus não disse ao filho da viúva: "a parte de mim que é Divina te diz: Levanta-te! " Jesus fala simplesmente "Eu te digo: Levanta-te". Na cruz, Jesus não disse: "minha natureza humana tem sede" mas exclama: "tenho sede".
Podemos e devemos chamar a Virgem Maria "Mãe de Deus" porque o termo da maternidade não é a natureza, mas a pessoa. E a Pessoa em Cristo é a 2ª da Santíssima Trindade, o Filho. Em Maria se realiza, pois este mistério: ser Ela "Mãe de Deus e de Deus filha. Ela participa do mistério do seu Filho, que é Deus e Homem ao mesmo tempo.
Assim como (Gênesis 3,2-7) apresenta a mulher (Eva) envolvida com o tentador e o pecado para a ruína do gênero humano, assim (Gênesis 3,15) apresenta a mulher (Eva feita Mãe da Vida por excelência ou Eva plenamente realizada em Maria) intimamente associada ao Messias na obra de Redenção do gênero humano. Assim a mulher (Eva, Mãe da Vida), que introduziu o pecado no mundo, será também a introdutora da Salvação ou do Salvador no mundo. O papel de Eva é recapitulado por Maria.
Eva é portadora da desobediência e da morte com o seu "não" a Deus; Maria, ao contrário, traz a fé, alegria e a vida com o seu "sim". O Anjo mau falou à mulher infiel a Deus, o Anjo Gabriel falou à mulher fiel a Deus; no primeiro caso, a mulher colabora para a morte; no segundo caso, a mulher (a nova Eva, a verdadeira Mãe da vida) colabora para a vida.
"Podemos assim dizer que Maria é o templo do Senhor, o Sacrário do Espírito Santo. O tabernáculo e a Arca da Aliança, são figuras da Virgem Maria. Ela é o sacrário vivo do Espírito Santo, porque se tornou a Mãe do verbo Encarnado. Basta percorrer as páginas das Escrituras para ver que Deus não habita no meio do pecado".
Portanto, Maria foi pensada, amada e predestinada para ser o templo do Espírito Santo e Mãe do Deus Encarnado.
Se Maria fosse somente um instrumento ou uma mulher comum, como se afirma no protestantismo, o próprio demônio poderia se apresentar a Jesus e dizer: "Onde está sua honra e sua glória?"
Sem sombra de dúvidas, a Bíblia a Tradição e o Magistério da Igreja, deixa bem claro que a Virgem Maria é Mãe de Deus. É claro que não podemos esquecer que, Ela não é Mãe de Deus na Primeira Pessoa, e sim na segunda Pessoa que é Jesus Cristo.
Para citar este artigo:
MOURA, Jaime Francismo. Apostolado Veritatis Splendor: MARIA MÃE DE DEUS. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/751. Desde 1/27/2003.

O MISTÉRIO DE JESUS - Blaise Pascal

Tradução de Brito Broca e Wilson Lousada. Fonte: Clássicos Jackson.
Jesus sofre em sua paixão os tormentos que os homens lhe infligem; mas na agonia sofre os tormentos que a ele mesmo se impõe: Turbare semetipsum. É um suplício de mão não humana, mas todo-poderosa, e é preciso ser todo-poderoso para suportá-lo.
Jesus procura algum consolo, ao menos em seus. três mais queridos amigos, estes dormem; pede que suportem um pouco com ele, e estes o abandonam com uma negligência total, e com tão pouca compaixão que não podia impedi-los de dormir um momento.
E assim Jesus foi abandonado sozinho à cólera de Deus.
Jesus está só na terra, não somente para sentir e compartilhar a sua pena, mas para ter conhecimento dela: o céu e ele são os únicos que têm esse conhecimento.
Jesus está em um jardim, não de delícias como o primeiro Adão, onde se perdeu e com ele todo o gênero humano, mas num jardim de suplícios, de onde se salvou e com ele todo o gênero humano.
Sofre essa pena e esse abandono no horror da noite.
Creio que Jesus só se queixou essa vez; mas queixou-se então como se não pudesse mais conter a sua dor excessiva: "Minha alma está triste até a morte".
Jesus procura a companhia e o alívio por parte dos homens. É um caso único em sua vida, parece-me a mim. Mas nada recebe, pois seus discípulos dormem.
Jesus estará em agonia até o fim do mundo: é preciso não dormir durante esse tempo.
Jesus no meio desse abandono universal e de seus amigos escolhidos para velar com ele, encontrando-os dormindo, zanga-se por causa do perigo a que se expõem, não ele, mas eles mesmos, e os adverte acerca da própria salvação e do seu bem com uma ternura cordial apesar da ingratidão deles, e os adverte de que o espírito é vivo e a carne fraca.
Jesus, encontrando-os ainda dormindo, sem que nem a consideração por ele nem por si próprios os tivesse retido, tem a bondade de não acordá-los e deixa-os em repouso.
Jesus ora na incerteza da vontade do Pai, e teme a morte; mas tendo conhecido essa vontade adianta-se em oferecer-se à morte: Eamus. Processit. (João).
Jesus rogou aos homens, e não o escutaram.
Jesus, enquanto seus discípulos dormiam, operou a salvação deles. Deu-a aos justos enquanto dormiam, no nada antes de nascerem e nos pecados depois.
Pede uma só vez que o cálice seja afastado, e ainda com submissão; e duas vezes que venha, se preciso.
Jesus no tédio.
Jesus, vendo todos os seus amigos adormecidos e todos os seus inimigos vigilantes, entrega-se inteiramente a seu Pai.
Jesus não vê em Judas a sua inimizade, mas a ordem de Deus que ele ama, e a vê tão pouco que o chama de amigo.
Jesus se arranca dos discípulos para entrar na agonia: é preciso arrancar-se dos seus mais próximos e dos mais íntimos para imitá-lo.
Jesus estando na agonia e nos maiores sofrimentos, oremos mais longamente.
Imploramos a misericórdia de Deus, não com o objetivo de que nos deixe em paz com os nossos vícios, mas para que nos livre deles.
Se Deus nos desse mestres por sua mão, oh como precisaríamos obedecê-los de boa vontade I A necessidade e os acontecimentos os são infalivelmente.
— "Consola-te, não me procurarias se já não me houvesses achado.
"Pensava em ti na minha agonia, por ti derramei certa gota de sangue.
"Ê tentar-me mais do que provar a ti próprio, pensar se farias bem tal ou tal coisa ausente: eu a farei em ti se ela chegar.
"Deixa-te conduzir pelas minhas regras; vê como conduzi a Virgem e os Santos que me deixaram agir neles.
"O Pai ama tudo o que faço.
"Queres que minha humanidade sangre sempre, sem que tu vertas lágrimas?
"A tua conversão é coisa minha, não temas, e roga com confiança como por mim.
"Eu te sou presente pela minha palavra na Escritura, pelo meu espírito na Igreja e pelas inspirações, pelo meu poder nos sacerdotes, pela minha oração nos fiéis.
"Os médicos não te curarão, pois por fim morrerás. Mas sou eu quem cura e torna o corpo imortal.
"Sofre as cadeias e a servidão corporais; eu só te livro agora da espiritual.
"Sou mais teu amigo do que este ou aquele; pois fiz por ti mais do que eles; e eles não sofreriam o que por ti sofri e não morreriam por ti durante as tuas infideli-dades e crueldades, como eu fiz, e. como estou pronto a fazer e faço, nos meus eleitos e no Santo Sacramento.
"Se conhecesses teus pecados, perderias a coragem."
— "Eu a perderei então, Senhor, pois creio na malícia dos pecados, conforme vossa afirmação."
— "Não, pois eu, de quem vens a saber isso, posso curar-te, e só por te dizer isso já é um sinal que te quero curar. À medida que os expiares, tu os conhecerás, e te será dito: Eis os pecados que te são perdoados. Faze pois penitência pelos teus pecados ocultos e pela malícia oculta daqueles que conheces".
— "Senhor, eu vos dou tudo."
— "Eu te amo mais ardentemente do que jamais amaste as tuas imundícies, ut immimdus pro luto.
"Para mim a glória, e não para ti, verme e terra.
"Interroga teu director, quando as minhas próprias palavras te forem ocasião do mal, e de vaidade ou curiosidade".
— Vejo o meu abismo de orgulho, de curiosidade, de concupiscêneia.
Não há nenhuma ligação entre mim e Deus, nem entre mim. e Jesus Cristo justo. Mas ele se fez pecado por mim e todos os vossos flagelos recaíram nele. Ele é mais abominável do que eu, e, longe de desprezar-me, sente-se honrado que eu vá a ele e o socorra. Mas ele se curou a si mesmo, e me curará por mais forte razão. É preciso juntar minhas chagas às dele, e juntar-me a ele, e ele me salvará salvando-se. Mas não devo acrescentar outras no futuro.
Eriiis sicut dii sciente bonum et malum1.
Todo inundo faz o papel de Deus julgando: "Isso é bom ou mau" e afligindo-se ou alegrando-se demais com os acontecimentos.
Fazer as pequenas coisas como se fossem grandes, por causa da majestade de Jesus Cristo que as faz em nós, e que vive nossa vida; e fazer as grandes como se fossem pequenas e fáceis, por causa de sua omnipotência.
5 Parece-me a mim que Jesus Cristo só deixará tocar em suas chagas depois da sua ressurreição: Noli me fangere 2. Só devemos nos unir a seus sofrimentos.
Deu-se para ser comungado como mortal na Ceia, como ressuscitado aos discípulos de Emaús, como subido aos céus a toda a Igreja.
___Notas
1 "Sereis como deus conhecendo o bem c o mal". (Gênese, XII, 5).
2 "Não me toques". (São João, XX, 17).
FONTE: http://www.consciencia.org/o-misterio-de-jesus-blaise-pascal