sábado, 8 de novembro de 2008

Crise financeira mostra importância da Palavra, explica Papa

Quem viu o Jornal Nacional de ontem, 06 de outubro, deve estar se perguntando a razão das supostas palavras do Papa. O Pontífice teria dito que a crise financeira mundial mostra a futilidade do dinheiro.
Bento XVI não disse essas palavras. O que o Jornal Nacional faz, assim como muito meios de comunicação, é repetir o que as agências internacionais acham por bem colocar na boca do Papa.

Crise financeira mostra importância da Palavra, explica Papa
Meditação aos bispos no primeiro dia de trabalhos do Sínodo
CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 6 de outubro de 2008 (ZENIT.org).- As atuais crises financeiras mostram a importância de construir a vida sobre o fundamento firme da Palavra, explicou Bento XVI, ao começar a primeira jornada do Sínodo dos Bispos.
«Vemos isso agora na queda dos grandes bancos: este dinheiro desaparece, não é nada. E assim todas estas coisas, que parecem a verdadeira realidade com a qual contar, e que são realidades de segunda ordem», explicou o Papa.
Sentado na parte central da Sala do Sínodo, o Papa ofereceu uma meditação durante a oração da hora terça aos 244 padres sinodais presentes sobre o Salmo 118 (119).
«A Palavra de Deus é fundamento de tudo, é a verdadeira realidade. E para ser realistas, devemos contar com esta realidade», assegurou o pontífice.
«Devemos mudar nossa idéia de que a matéria, as coisas sólidas, que tocamos, sejam a realidade mais sólida, mais segura», exortou.
Recordou que no final do Sermão da Montanha, Jesus fala das duas possibilidades de construir a casa de nossa própria vida: sobre a areia e sobre a rocha.
«Sobre a areia constrói quem só constrói sobre as coisas visíveis e tangíveis, sobre o êxito, sobre a carreira, sobre o dinheiro. Aparentemente, estas são as verdadeiras realidades. Mas tudo isso um dia passará», assegurou.
«E assim todas estas coisas, que parecem a verdadeira realidade com a qual contar, e que são realidades de segunda ordem. Quem constrói a vida sobre estas realidades, sobre a matéria, sobre o êxito, sobre tudo o que parece ser, constrói sobre a areia», explicou.
«Só a Palavra de Deus é o fundamento de toda a realidade, é estável como o céu e mais que o céu, é a realidade. Portanto, devemos mudar nosso conceito de realismo. Realista é quem reconhece na Palavra de Deus, nesta realidade aparentemente tão frágil, o fundamento de tudo.»
O arcebispo Claudio Maria Celli, presidente do Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais, explicou depois aos jornalistas que a Palavra convida a ver a economia e as finanças como «uma realidade penúltima».
«É inegável que as demais realidades, quando comparadas com a Palavra, revelam seus limites. São verdades penúltimas, mas não são a verdade última», explicou em uma coletiva de imprensa concedida após a primeira congregação geral do Sínodo.
«O tema de fundo que o Papa tratou não era a atual situação econômica, era a importância da Palavra de Deus no caminho do homem. E, a partir desta luz, as demais dimensões são como névoa e demonstram sua inconsistência», concluiu o arcebispo.

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